Nunca descansar, Nunca desligar... ou a síndrome de Funes
Recentemente a Globo News fez 14 anos e lançou uma bem produzida campanha de marketing, cujo objetivo foi promover o próprio canal e sua atuação na produção da notícia. Sua a mensagem principal: “nunca descansar, nunca desligar”. Ações atribuídas ao próprio canal, como qualidades no meio em que atuam. Eu acrescentaria uma pergunta. Como agüentar? Ao assistir a propaganda, imediatamente me senti como Funes, o memorioso de Jorge Luis Borges. Como se naquele momento, também eu tivesse caído do cavalo e batido com a cabeça. Tal como Funes, senti-me castigada a nunca mais poder me distrair do mundo. Condenada a ver, olhar, ouvir, saber, ver, olhar, ouvir... Errante em um ciclo ininterrupto de eventos, notícias, informação, enfim. Como se cada um de nós fôssemos “o solitário e lúcido espectador de um mundo multiforme, instantâneo e quase intoleravelmente preciso”. Mundo no qual parecemos ter encontrado a fórmula mais sofisticada e complexa de aprisionamento e dependência: a produção il...