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Até quando a humanidade vai ter que se desculpar com Israel?

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Palestinos, moradores da Faixa de GAZA Existe, na atualidade, uma clara mudança de postura em relação o passado. A partir de um dado momento nos deparamos com uma verdadeira obsessão da rememoração e, junto com ela, difunde-se a crença que é possível reparar-lo ou manter um julgamento perpétuo do presente pelo passado. Em nome dessa reparação e desse julgamento sempre inacabado, muitas políticas sociais têm emergido nos últimos anos em várias partes. Os discursos sobre memória no começo da década de 80, na Europa e nos Estados Unidos, foram também impulsionados pelos debates em torno do Holocausto; evento tornado exemplar para reflexão dos acontecimentos emblemáticos no século XX.  O agravamento desses conflitos colocou o holocausto como o grande centro das disputas de memória no final do século passado e o tornou referência de massacres e mortes em várias partes do mundo. Mais ainda, fez do povo judeu o guardião de uma memória que alcançou uma dimensão de universalidade extremamen...

Rio de Janeiro - admirável velho mundo

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Quantos mundos é possível caber em uma única cidade? Sempre me fazia essa pergunta enquanto estava morando no Rio de Janeiro. Ao olhar para os morros coloridos e multifacetários em suas milhares de pequenas casas, ao caminhar pela orla quase mítica da zona sul, percorrendo os subúrbios na complexidade de seus habitantes e costumes. Estando ali, por vezes me sentia só, sensação que, contraditoriamente, parecia partilhada coletivamente por tantas outras vidas em travessia que encontrei. Reunião de exilados a dividirem a experiência de ser o outro em terra alheia, vivendo na fronteira de vários sonhos. Reunião de memórias a confrontarem identidades, costumes e vivências. Lá, Amazônia e São Luis, Paraíba, São Paulo e Recife, Ouro Preto e Mariana, Goiânia, Magé e Niterói e tantos outros lugares, tornaram-se familiares para mim quase como se fizessem também parte de minhas lembranças pelas memórias compartilhadas entre os que encontrei; como se estivéssemos reunindo o passado num ritual de r...

O mundo selvagem da república das cuecas

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Com quantas cuecas se faz uma fortuna? Essa é uma pergunta que tenho me feito esses últimos dias nos quais fomos brindados pelas obscenas imagens de cuecas cheias no horário nobre. Em outros tempos, haveria ao menos um aviso para que tirássemos as crianças da sala, ou um alerta para que pessoas idosas ou de coração fraco pudessem se preparar para as cenas chocantes que iriam assistir.  A voracidade com a qual alguns dos espécimes de políticos se atiravam sobre os maços de dinheiros me fez lembrar aqueles documentários do National Geographic sobre predadores. Aquele brilho no olhar, a euforia, ao vislumbrar o objeto do desejo, denunciava um misto de selvageria e excitação. Em sua ferocidade e urgência, vimos os políticos predadores atacarem os pacotes valiosos, que aos nossos olhos foram devorados, extirpados, dilacerados em vários pedaços dispostos em bolsos, meias, sacolas e claro, cuecas. As cenas nos deixaram ver ainda, a face franca de alguns dos representantes do povo. Para a...

Ruban, a fábula do último homem que o Google não comeu

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Nesse exato momento, ao começar a ler o texto, é provável que você tenha feito uma pergunta: mas quem é Ruban?  Admito que assim, sem um sobrenome, ou mesmo uma profissão fica difícil. Se tivéssemos ao menos o sobrenome poderíamos correr para o grande oráculo da contemporaneidade e interrogá-lo, certamente ele nos daria algumas centenas ou milhares de possibilidades como resposta. Contudo, estou certa que mesmo assim, ele não se calará e nos encaminhará ao endereço mais próximo.  Outra opção também seria varrer o Orkut, facebook, twiter... e tentar localizá-lo entre suas milhões de micro-celebridades – afinal, todo mundo tem sua pequena audiência garantida no espaço azul celeste desbotado. Quem sabe não veríamos o rosto de Ruban! Talvez, poderíamos dizer: "- Como está velho, coitado", ou então, Uau! Ruban casou com Paulo e virou Brenda!  Mas, não. Ruban não está lá. Talvez outro sim, mas não esse Ruban.  Este, do qual falo, homem sem sobrenome, sem rosto, sem nenhum ...

20 anos depois que o muro caiu...Ilusão e perversidade. Esperança?

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Muro da Cisjordânia que começou a a ser construído em 2002 A principal imagem que tenho do dia 9 novembro de 1989 é a do jornal nacional com seus repórteres, quase abraçados aos alemães comemorando a queda do muro. Na conjuntura política mundial, aquele momento foi considerado um símbolo para o fim da guerra fria, ou da bipolarização do mundo em norte-sul, capitalismo-comunismo. Foi o momento máximo de apologia ao mundo globalizado, unido, reunido, ou como diria o grande intelectual Milton Santos, da globalização como fábula. Mas, ao contrário da fábula, o que vimos se realizar desde então foi um mundo caracterizado por aquilo que Milton também definiu como globalização perversa, marcada pela exclusão cada vez mais severa de grupos humanos em várias partes do mundo, do domínio da técnica e do pelo poder dos meios de comunicação que ajudaram a fabricar a fábula de uma democracia global, conceito, há muito esvaziado de um sentido social e ético mais amplo. Mas, talvez o que 1989 possa n...

Eu sou fã da Lídia Brondi

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Ontem foi aniversário da Lídia Brondi, com temor vi que muitos sites de “celebridades” lembraram disso, o que já demonstra que ela corre um sério risco de ser perseguida implacavelmente pelo fantástico. Se você tem mais de trinta deve lembrar dela. Na minha adolescência, quase toda menina queria ser Lídia. Em papéis que sempre lhe destacavam a inteligência, simplicidade e beleza, era sempre sucesso garantido nas novelas em que atuava. Mas o que Lídia teve de melhor foi frustrar o grande circo que se organizou na década de 90 em torno das celebridades fulgurantes, superficiais e sem talento com o qual fomos brindados desde então. Lídia não era uma celebridade. Era uma atriz, coisa que hoje em dia se tornou um mero detalhe no grande show de bobagens e canastrices oferecidos na barulhenta feira de horrores que se tornou a televisão brasileira. Nos últimos anos as novelas e programas de televisão perderam a capacidade de sensibilizar e estimular a imaginação. Isso porque vem se especializ...

PARA ONDE VÃO AS PUTAS TRISTES DE GARCIA?

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A ONG Coalizão Regional Contra o Tráfico de Mulheres e Meninas na América Latina e Caribe (CATW-LAC) acaba de anunciar que denunciará Gabriel Garcia Marques por apologia à prostituição e a pedofilia. Tal ação ocorre pela cessão dos direitos do livro “Memória de minhas putas tristes” para ser transformado em filme. Segundo a ONG, com essa atitude Garcia massifica “a mensagem e reivindica poeticamente como natural essa atividade [a prostituição], o que leva à normalização do fenômeno e o faz ser considerado lícito" ( ¹) Parece que caminhamos a passos largos para a paranóia coletiva. Um momento em que a humanidade pretende purgar todos os seus pecados através da vigilância implacável sobre o presente que carrega o fardo de ter sido eleito como o tempo de todas as reparações. Nessa tarefa, toda e qualquer manifestação identificada fora dos padrões desse projeto deve ser reprimida implacavelmente. Contraditoriamente, exatamente quando pensamos ter maior liberdade, deparamo-nos com...